Histórico

 

Católicas pelo Direito de Decidir surge nos anos 90 no Brasil e em outros países da América Latina. O movimento social se organizava através de ONGs e a abertura democrática sinalizava avanços na criação de políticas e projetos voltados para a garantia dos direitos humanos da população.

Foi nessa mesma época que o movimento de mulheres assumiu a defesa dos direitos sexuais e direitos reprodutivos. O debate sobre o direito ao aborto entra em cena e a Igreja Católica que contava com a força das mulheres na organização das Comunidades Eclesiais de Base, perde lideranças femininas que agora querem garantir não só a luta contra as injustiças sociais, mas também sua autonomia individual.

A Igreja Católica oferece à sociedade um discurso condenatório do exercício sexual livre e autônomo, e a população católica vive uma realidade distinta: pratica a sexualidade antes do casamento, usa camisinha, as mulheres abortam, enfim há uma enorme defasagem entre o que a Igreja prega e os(as) fiéis vivem.

Católicas propõem articular as ideias do feminismo com o cristianismo, buscando argumentação teológica consistente e oferecendo a possibilidade de encarar a sexualidade como algo positivo, que pode nos fazer felizes, sem nos sentirmos culpadas.

Essa inspiração nasceu nos EUA e expandiu-se por vários países da América Latina nos anos 90. Hoje estamos em 12 países e nos organizamos através da Rede Latino-americana de Católicas pelo Direito de Decidir. Esta rede se consolidou em 1996, em um encontro realizado em Caxambu, ocasião em que elaboramos também nossa Carta de princípios.

 

No Brasil, Católicas anuncia seu nascimento em 1993 no Dia Internacional das Mulheres, em um evento feminista.

De lá prá cá Católicas no Brasil vem enfrentando desafios, procurando tornar conhecida uma outra forma de compreender a religião, buscando o diálogo com outras igrejas, trabalhando para combater a violência contra as mulheres, defendendo a laicidade do Estado, fazendo uso da mídia para tornar conhecidos seus argumentos, trabalhando em ações de Advocacy, somando-se ao movimento de mulheres brasileiro.

Por ocasião da visita do Papa João Paulo II ao Brasil, em 1998, Católicas participa do debate público, como um ator expressivo, propagando amplamente posições favoráveis à legalização do aborto no país. Realiza pesquisas de opinião encomendadas ao instituto IBOPE que evidenciam que a maioria da população católica não criminaliza as mulheres que abortam, principalmente nos casos previstos pela lei. Nessa ocasião Católicas torna-se nacionalmente uma referência pública, que se opõe ao pensamento oficial da Igreja, no que tange à moral sexual.

O grande objetivo de Católicas é trabalhar para provocar mudanças em nossa cultura, desconstruindo a mentalidade conservadora e preconceituosa que impede os avanços nos direitos humanos das mulheres.

Para saber mais sobre o histórico da atuação de Católicas pelo Direito de Decidir leia a publicação comemorativa dos 10 anos da instituição (ARQUIVO publicação-catolicas-10anos) e a publicação Aborto Legal: implicações éticas e religiosas (ARQUIVO publicação-aborto-legal-implicacoes-eticas-2002)