Na última quarta-feira de cinzas (18/02), um sacerdote de 56 anos, membro do clero da Diocese de Caxias do Sul (RS), foi preso em São Francisco de Paula, pelo crime de estupro de vulnerável. A Polícia Civil cumpriu um mandado de prisão condenatória expedido pelo estado de Rondônia. O crime teria ocorrido na capital, Porto Velho, durante missão sacerdotal entre os anos de 2017 e 2020.
Dias após a apreensão, a Diocese de Caxias do Sul emitiu uma nota esclarecendo que medidas estavam sendo tomadas pela Arquidiocese de Porto Velho – Rondônia, junto ao Tribunal Eclesiástico de Manaus, onde corre o processo canônico. Também citou a Comissão para a Tutela de Menores e Adultos Vulneráveis, criada na diocese em maio de 2025. O sacerdote havia sido designado para a Paróquia de São Francisco de Paula em 2024 e, em dezembro de 2025, nomeado para atender também à Paróquia São José, em Cambará do Sul.
A nota da Diocese é frágil e insuficiente diante da gravidade do fato. Se a prisão foi condenatória, cabem inúmeras perguntas. Por que a Diocese de Caxias do Sul não tomou medidas canônicas em relação ao padre durante o processo penal? Por que deixou crianças, adolescentes e mulheres católicas expostas a um sacerdote que respondia por crime de estupro de vulnerável? Por que a nota não manifesta solidariedade com a vítima? Qual foi o trabalho efetivo da Comissão para a Tutela de Menores e Adultos Vulneráveis?
Não estamos seguras em nenhum lugar. Nem mesmo nas igrejas, espaços sagrados em que vivenciamos nossa fé e que deveriam zelar pelo cuidado e pelo respeito à vida de cada uma de nós. Enquanto criminalizam as mulheres e negam a interrupção da gravidez como um direito social, padres e bispos zelam por sua estrutura eclesiástica, compactuando com mecanismos que permitem a manutenção de práticas arbitrárias de sacerdotes abusadores.
Como católicas comprometidas com a vida das mulheres, nos solidarizamos com todas as vítimas de abusos sexuais cometidos por sacerdotes católicos. Não cremos na moral sexual da igreja, na qual as mulheres são associadas ao mal e ao pecado. Nossa fé é pela construção de uma catolicidade realmente empenhada com o bem-estar das mulheres e que fortaleça políticas de proteção.
Católicas pelo Direito de Decidir – Março de 2026