Aborto: conversando a gente se entende
Cartilha sobre o aborto, a Igreja Católica, consciência, ética e realidade das mulheres.
Cartilha sobre o aborto, a Igreja Católica, consciência, ética e realidade das mulheres.
No final de agosto último, a Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, elaborou um texto com o propósito de orientar seus e suas fiéis sobre como votar bem nas próximas eleições. A Presidência e a Comissão Representativa dos Bispos do Regional Sul 1 da CNBB, por sua vez, divulgaram nota em que afirmam acolher e recomendar a divulgação dessas orientações. Católicas pelo Direito de Decidir, após tomar conhecimento do teor desses documentos, vem a público manifestar seu estranhamento e repúdio às afirmações falaciosas presentes no referido texto, o que de forma nenhuma condiz com o que esperamos de líderes religiosos que deveriam ser exemplo de ética e correção, especialmente ao assumir tarefa que não é própria do âmbito religioso, ou seja, interferir nas eleições, dirigindo-se inclusive a não católicos/as.
Em julho deste ano, Igreja Católica publicou uma revisão do decreto “Sacramentum sanctitatis tutela,” promulgado em 2001 por João Paulo II. Além de não enfrentar com a energia necessária os graves crimes de pedofilia cometidos por integrantes do clero, o documento ousa colocar a ordenação de mulheres na lista de “crimes mais graves” quanto às questões sacramentais. Católicas pelo Direito a Decidir publica a seguir – e como editorial – o artigo em que a teóloga brasileira Ivone Gebara manifesta seu repúdio a mais essa manobra de encobrimento dos abusos sexuais cometidos por padres e mais esse ataque contra as mulheres promovido pelo Vaticano.
No décimo aniversário da escolha do dia 18 de maio para marcar o “Dia Internacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes”, queremos assinalar em evento ocorrido em 2009, envolvendo uma sequência de abusos impostos a uma menina de nove anos naquela época. Consideramos esse episódio como um possível indício do potencial surgimento de sensibilidade da Igreja Católica para as questões relativas à saúde física e mental das mulheres.
A Igreja Católica – que perde moral por abusos sexuais cometidos por seus padres contra crianças, adolescentes e mulheres – interfere na redação do III PNDH sob a bandeira da moralidade. E o governo federal aceita.
Neste 8 de março, o movimento de mulheres do mundo todo lembra os 100 anos de luta por autonomia e pela realização plena da nossa cidadania. No Brasil, 2010 abriu-se num horizonte de expectativas com a publicação do III Programa Nacional dos Direitos Humanos (PNDH), pela Secretaria Especial de Direitos Humanos. Alguns setores da sociedade brasileira, expressão do pensamento mais fortemente conservador e retrógrado, reagiram negativamente ao Programa.
Católicas pelo Direito de Decidir vem a público manifestar sua surpresa e indignação frente ao recuo do Governo Federal em relação a posições tomadas anteriormente no III PNDH, resultado de ampla discussão realizada por instâncias governamentais com a sociedade brasileira. Um governo que é respeitado no cenário internacional como democrático e defensor dos DH, dobra-se à pressão política da hierarquia católica, sobrepondo interesses eleitorais à vida das mulheres e à dignidade de pessoas homossexuais.
Entenda os argumentos da Igreja em defesa da vida, contra o aborto, e as consequências para a vida das mulheres.
A publicação aborda a violência contra as mulheres, suas causas, a responsabilidade das religiões na produção e na reprodução da violência sexista.
xto sobre aborto, direitos sexuais e reprodutivos, ética e religião.